15.6.10

Se a felicidade fosse...

Fiquei pensando em tudo que eu preciso fazer antes de ir. De tudo que eu ainda sonho ver, tocar, sentir, amar e percebi que é tanto, mas tanto, que não vou ter tempo.

E mesmo que eu começasse nesse segundo, o tempo iria passar e eu não iria conseguir. E eu tentei abraçar o mundo e não consegui. Vai ver que ele é igual a mim, não gosta. Vai ver que ele é igual a mim. Não quer.

Ouvindo Laura Marling e pensando que a felicidade bem que podia ser um pequeno globo de brilhantes que a gente pudesse agarrar com os dedos e com muita força segurar. Como uma estrela que não vai a lugar algum. Como um beijo que pode durar para sempre - mas que não vai.




8.6.10

Descontroladamente

Atravessando a rua, percebi que tenho medo. Ou melhor, evito o medo. Prefiro não sofrer do que sofrer e sofrer. É complicado, assim como tudo que se passa aqui dentro.

E eu, que antes saía no meio da rua, parava o carro em sinal vermelho e fumava descontroladamente, me encontrei preocupada com carros na contra mão, e assaltantes de moto e enfisema. E não é assim que eu quero ser. E não é assim que eu me vejo. Mas quando páro, é assim que eu sou.


O que eu não entendo é essa pressa, essa vontade louca de fazer logo tudo. De acabar mais rápido. Como se eu fosse um pêndulo e meu relógio estivesse sempre atrasado...


"with no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
Silence, silence.

This is my final fit,
my final bellyache"
Regina Spektor - No Surprises

7.6.10

celular


jantando e conversando com outra pessoa eu vi que não é isso que eu quero. claro que de vez em quando eu roubava uma olhada no celular, mas eu já esperava que você não fosse ligar. mesmo esperando. e vi que eu quero mais, que eu mereço melhor, que no fundo eu preciso pensar mais em crescer do que em sobreviver.

e eu não estou dizendo que está sendo fácil, ou que eu vou parar de pensar em você do dia para a noite. mas eu vou parar.

e quando eu olhar para o meu celular, vai ser para ligar para outra pessoa. e falar sobre outras coisas.

4.6.10

para pensar


eu pensei que não queria me apaixonar. tenho medo de sofrer, de me apegar, de aguentar calada, de ficar com medo de perder, de perder, de chorar de raiva e engulir o orgulho.


e ontem, vi um casal que está junto há tanto tempo e ela encostou a cabeça no ombro dele. e eles seguraram a mão um do outro. e vi outro casal dançando no meio da praça e pensei: deveria ser eu. mas não, isso eu não quero.

eu quero um amor sereno, seguro, confiante, daqueles que você não precisa ligar a todo momento para saber que ele está pensando em você... e quero abraços inesperados e pequenas declarações acompanhadas de abraços apertados.

mas o que eu realmente queria era fechar os olhos e imaginar que um dia eu vou encontrar isso. Mas eu não vou. E eu sei. E mesmo assim, eu parei de pensar.

Vai passar...

Acorda cedo, vai para a praça trabalhar, atende mil ligações, organiza outras mil entrevistas. cancela o almoço com aquele amigo. é meio dia e o repórter não chegou. a equipe chegou mas não o caminhão de link ao vivo. corre para o jornal. hoje tem que fechar um caderno e duas colunas. almoça correndo e tenta colocar as fofocas em dia. volta para o jornal. nossa, a rede caiu. espera enquanto escreve uma matéria. espera a matéria do estagiário. cobra matéria. cobra fotos. fecha páginas. fome. um refrigerante para enganar a fome. precisa tirar férias. não, de verdade. é OBRIGADA a tirar férias logo. próxima semana? não, próximo mes.

volta para a praça. tudo ok. volta para casa. não aguenta ir para a reunião pedagógica. o computador não quer ligar. chora. o computador não entende e continua sem ligar. chora mais um pouco....

e pensa: quando vai passar?